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| Ano Internacional da Biodiversidade - que é a base de tudo Brasília, 25 de janeiro de 2010 — O Ano Internacional da Biodiversidade deve chamar a atenção do mundo para as espécies e os processos naturais que nos mantêm vivos, os quais geralmente não recebem a atenção devida.
A conservação da biodiversidade é essencial para a sobrevivência humana e os processos naturais decorrentes dessa diversidade são centrais para a economia de todas as nações. No entanto, isso é frequentemente esquecido por políticos, que focam suas ações em agendas de curto prazo.
O trabalho de conservação dos ecossistemas focado no bem-estar da humanidade desenvolvido pela Conservação Internacional (CI) em várias partes do mundo lida com questões-chave que vão desde a proteção dos suprimentos de alimento e água potável até a prevenção do avanço de doenças e a redução das mudanças climáticas. “No centro de tudo isso está a biodiversidade. É o que sustenta todos nós”, afirma Claude Gascon, vice-presidente executivo de Programas e Ciência da CI.
A Conservação Internacional trabalha com empresas e governos para assegurar que práticas sustentáveis sejam implementadas para preservar a biodiversidade, reduzir as mudanças climáticas e prover melhores oportunidades para o desenvolvimento econômico. A organização também desenvolve projetos junto a comunidades em áreas-chave para a manutenção da biodiversidade com o objetivo de apoiá-las a encontrar maneiras de melhorar suas condições de vida e incrementar sua renda, ao mesmo tempo em que protegem o meio ambiente.
Dentre os exemplos que ajudam a ilustrar o papel crucial da biodiversidade para a sobrevivência humana destacam-se:
Segurança alimentar: os estoques de peixes de grande valor comercial estão diminuindo em todo o mundo, ameaçando a sobrevivência e a saúde de milhões de pessoas que dependem desse tipo de alimento nos países mais pobres do mundo. O declínio ou a extinção de insetos e de animais que polinizam plantas pode levar a severas consequências na produção de grãos, causando impactos profundos na economia e na saúde humana, além de prejudicar a autossuficiência dos países na produção de comida.
Manutenção da saúde: A natureza provê mecanismos tanto para reduzir o alastramento de doenças quanto para tratá-las. Várias plantas, animais e micro-organismos contêm compostos que têm sido usados no desenvolvimento de medicamentos para a cura e o tratamento de doenças, desde câncer a enxaquecas e depressão. Muitos animais também se alimentam de mosquitos e outros insetos causadores de doenças.
Acesso a água potável: Plantas e micro-organismos aquáticos filtram e limpam as reservas de água, reduzindo a presença de agentes causadores de doenças. Ecossistemas de água potável também provêm renda e alimento para muitas comunidades.
Estabilidade climática: Os sistemas biológicos naturais são os únicos mecanismos existentes para remover o dióxido de carbono da atmosfera na escala necessária para reduzir efetivamente as mudanças climáticas. As florestas tropicais e os ecossistemas marinhos são particularmente importantes para isso. O desmatamento é também responsável por cerca de 16% das emissões mundiais de carbono, além da catastrófica perda de biodiversidade.
Opções para o futuro: Entender o comportamento e a biologia da biodiversidade encontrada no planeta ajuda a desenvolver novas tecnologias que podem mudar nosso futuro. Isso vai desde enzimas do trato digestivo de uma espécie de crustáceo que come madeira que podem eventualmente servir de inspiração para a geração de biocombustível a partir do lixo a adesivos baseados nas características da pata da lagartixa até possibilidades de novas descobertas e formas de controlar e aliviar a dor.
“Essa é a maior crise de extinção de espécies da história desde a extinção dos dinossauros”, aponta Gascon. “No entanto, enquanto os dinossauros não sabiam de seu destino, a humanidade está assistindo, com plena consciência, ao desenrolar da crise atual. Nós temos os recursos necessários e precisamos lidar com essa crise, mas, até agora, temos falhado. No Ano Internacional da Biodiversidade devemos focar nossos esforços para assegurar que tanto a nossa quanto as futuras gerações protejam o mundo natural que nos protege”.
Brasil: oportunidade e liderança - Por ser o detentor de um dos maiores acervos de biodiversidade no mundo, o Brasil exerce um papel crucial nesse contexto. “Tal qual se deu na COP-15, do Clima, em Copenhague, o Brasil terá o dever de exercer um papel de liderança também na COP-10, da Biodiversidade, em Nagoya, em outubro de 2010”, opina Fábio Scarano, diretor-executivo da CI-Brasil. Para isso, o país deve encarar o ano 2010 como sua grande oportunidade para tratar o tema da conservação da biodiversidade de forma séria e comprometida, propondo e cumprindo metas e programas ousados em seu próprio território, para assim influenciar também uma melhor governança global nessa área. Scarano prevê jogos ‘verdes’: “2010 pavimentará o caminho para que, em 2014 e 2016, o Brasil possa sediar, respectivamente, a Copa do Mundo e as Olimpíadas sustentáveis, que terão o potencial de se transformar em marcos mundiais do esporte, além de grandes vitrines de demonstração da viabilidade e da beleza do convívio harmônico entre homem e natureza”. |
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